Até hoje existem artistas que constroem autômatos — pequenas máquinas hipnóticas que misturam engenharia, arte e imaginação. No fundo, eles são como um elo entre o passado e a robótica moderna.

Diário do Faroleiro — McDeall
O movimento no porto hoje trouxe algo incomum. Um veleiro atracou ao amanhecer, trazendo artistas e algumas peças que chamaram atenção: autômatos.
São mecanismos que operam de forma autônoma, simulando movimentos humanos ou animais com precisão. À primeira vista, parecem apenas objetos técnicos. Mas, observando melhor, fica claro que ocupam um espaço entre engenharia, arte e reflexão — como se questionassem até que ponto algo mecânico pode se aproximar da ideia de “vida”.
Durante a conversa, mencionaram Heron de Alexandria como uma das origens desse tipo de construção. Depois vieram referências do século XVIII, como Jacques de Vaucanson, Pierre Jaquet-Droz e Wolfgang von Kempelen — este último responsável por uma máquina que simulava jogar xadrez, enganando figuras como Napoleão Bonaparte.
O mais relevante, no entanto, foi perceber que essa produção não está restrita ao passado ou à Europa. Os artistas citaram brasileiros como Eduardo Salzane e Agnaldo Pinho, que continuam desenvolvendo esse tipo de trabalho, conectando técnica e narrativa.
Também mencionaram o Cabaret Mechanical Theatre, que mantém exposições e preserva esse repertório, além da Automata Magazine, que documenta e difunde esse universo.
Esses visitantes não apenas criam — eles circulam. Levam essas peças a pessoas específicas: interessados em objetos fora do padrão, colecionadores, ou simplesmente aqueles que reconhecem valor em criações que não seguem lógica puramente funcional.
Antes de partirem, deixaram um dos autômatos sob minha guarda. Um mecanismo simples, repetitivo, mas preciso. Não resolve um problema direto, mas mantém a atenção de quem observa.
Há um padrão nisso tudo. Essas peças sempre encontram alguém disposto a recebê-las.
O farol continua operando.


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